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As informações e sugestões contidas neste blog têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

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11 novembro 2015

Incontinência urinária

Sequência simples de exercícios é usada no combate ao problema e pode ser realizada a qualquer hora

Aproximadamente quinze minutos diários de exercícios simples e sem contraindicações podem afastar ou ajudar a resolver a incontinência urinária, problema que, segundo estimativas, atinge em diferentes graus até 30% das mulheres brasileiras entre 30 e 60 anos.

Os especialistas acreditam que essa porcentagem pode ser até maior, já que faltam estudos epidemiológicos consistentes sobre o tema e a realidade do País. E embora também possa acometer os homens, o problema é muito mais comum nas mulheres, devido à anatomia própria do corpo feminino.

A incontinência urinária de esforço é definida como uma perda involuntária de urina ocasionada pelo aumento da pressão sobre o abdômen. É comum o relato de mulheres que, ao correr ou pular, ou mesmo ao espirrar ou rir de forma intensa, percebem que houve escape de urina. Isso acontece devido à sobrecarga ou ao desgaste natural do assoalho pélvico, uma rede de músculos e ligamentos que sustenta o útero e a vagina no lugar, além de manter o reto na posição normal. Essa estrutura também é essencial para a manutenção da força da musculatura que envolve a bexiga e a uretra.

A incontinência urinária tem forte influência na qualidade de vida do paciente. Com receio por não apresentar controle total da bexiga, o indivíduo passa a evitar o convívio social, isolando-se cada vez mais. Estudos realizados nos Estados Unidos revelam que pessoas com o problema estão duas vezes mais suscetíveis à depressão do que a população em geral. Elas também têm uma percepção pior de próprio estado de saúde, o que gera um impacto psicológico negativo.

Musculação
Assim como em outras partes do corpo, se o assoalho pélvico não for exercitado, torna-se mais fraco e menos eficaz. A situação fica mais comum com o passar da idade, em quem está acima do peso e em mulheres que já engravidaram. “Durante a gravidez e mesmo após o parto há sobrecarga dos músculos e esse desgaste pode levar à incontinência”, explica o Dr. Mariano Tamura Vieira Gomes, ginecologista do Einstein. “O problema também é muito comum na pós-menopausa: por conta da mudança hormonal, há redução das fibras de colágeno e o consequente enfraquecimento da região”, completa.

Todos os músculos do corpo, para serem fortes e exercerem bem as funções de proteção, movimentação e manutenção, precisam estar condicionados. O mesmo acontece com os do assoalho pélvico. Para fortalecer a região, os especialistas indicam às mulheres a realização dos exercícios de Kegel, inventados pelo ginecologista Arnold Kegel na década de 1940. A sequência pode evitar o aparecimento da incontinência urinária ou resolvê-la, se ela ainda estiver em um grau leve.

Naquelas mulheres que já apresentam incontinência urinária, em uma primeira consulta o médico avalia o tônus ou a fragilidade dos músculos e observa também se os reflexos estão normais. Como há mais de um tipo de incontinência, o relato da paciente também é de extrema importância. Alguns médicos pedem registros diários da perda de urina a fim de identificar possíveis hábitos que estejam levando ao problema. Se houver necessidade, é possível pedir a realização de um estudo urodinâmico, no qual o comportamento da bexiga (esvaziamento, capacidade e fluxo) é monitorado por meio de uma sonda.

Detectada a necessidade dos exercícios, o próximo passo é a conscientização do próprio corpo e entender o que é o assoalho pélvico. “Identificá-los é fácil: os músculos a serem trabalhados são aqueles usados para interromper a micção”, esclarece o Dr. Luis Augusto Seabra Rios, urologista do Einstein.

Passadas essas fases, uma equipe multiprofissional, composta por médicos e fisioterapeutas, indicará quais os movimentos e por quanto tempo eles devem ser realizados, levando em conta os aspectos avaliados pelos especialistas, além da idade e possível gravidez anterior. Os exercícios também podem – e devem – ser utilizados de forma preventiva.

A sequência é baseada na contração e relaxamento dos músculos e deve ser feita, pelo menos, três vezes ao dia, todos os dias, de bexiga vazia. A técnica básica prevê apertar e levantar os músculos pélvicos segurá-los nessa posição por cinco segundos e depois relaxá-los pelo mesmo período. O tempo deve ir aumentando de forma gradual. Como a região trabalhada não é visível é possível fazer os exercícios no trânsito ou no trabalho, em qualquer momento oportuno.

Os primeiros resultados começam a aparecer logo após o primeiro mês. No entanto, ressalta o Dr. Luis, o tempo que levará para apresentar algum efeito dependerá da gravidade do quadro, isto é, da quantidade de urina que se perde. “Nos casos mais graves, quando os exercícios são realizados corretamente e no mínimo três vezes por dia, os resultados podem ser percebidos após três meses e após cerca de um ano se dá a resolução completa do caso”, explica o urologista. Se depois desse período a incontinência persistir, é preciso avaliar outro método de tratamento.

Vale ressaltar que a aderência ao treino deve ser contínua e perene. Os músculos do assoalho pélvico (assim como os demais) voltam a enfraquecer se a musculação for abandonada.

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